segunda-feira, 31 de julho de 2006

AQUELE MOÇO.

Ele é como uma fagulha, daquelas que nunca se apaga, o vento não mata, só fortalece. E ele sempre me escapa, quando vem, surge e ressurge. Mas, sempre teima em partir sem deixar marcas, rastros, só mesmo o meu desejo que deve mesmo se manter discreto. Resta então saber que você existe e que passa por mim como um tufão, mas, que não é meu.
E aparece com um ar de raposa, com andar imponente e simultaneamente sutil e um olhar assim de penumbra. Assim horas com nuvens nos olhos que tanto atraem, mas não se permitem penetrar, horas com um redemoinho hipnótico que me despe delicadamente, com muita naturalidade, e quase que não me dou conta.
E eu até tento não transparecer, venço a batalha de o corpo não falar, finjo bem, não sabe? Mas é que esse diabo com cara de bom moço e jeito de gente que não se desmancha, sem muito esforço me desconcentra, me provoca, sabe ler minhas reações e ler o que meus olhos, ao contrário dos meus gestos, acabam por revelar. Ele sempre me deixa rubra, como ninguém mais consegue deixar.
O pior de toda essa história não é só minha vulnerabilidade, o pior é que ele brinca com essa atração. E eu, já inebriada em sua graça, por pouco não me banho nessa fonte de prazer. Abduzo-te, prendo-te e busco com ânsia aquela boca, donde ouço uma voz delirante que de início me paralisa os sentidos e logo em seguida enfurece meu desejo adormecido que renasce cada vez que você vem.

Diva Brito
2005

sábado, 29 de julho de 2006

INTEIRO

Sentir você por entre suas coxas
Me despir por inteiro da carapaça
Suas mãos descendo minha nuca
E minha língua com ar de pirraça.
Os meus cabelos num só embaraço
E eu a me afogar nesse urgente apelo
Agarro tão sedenta que nem sei se ajo
Somente por sede ou por desespero
De não querer conter o que aguardo
Que é de sentir cumprido o seu desejo.

Diva Brito
28/06/2006

terça-feira, 25 de julho de 2006

À VANGUARDA

Quero as luzes acesas,
Quero toda transparência,
Nas cores e imagens.
Eu não alcanço esse atraso.
Se for loucura, ou euforia,
Não importa.
Estou sozinha,
Preciso sempre ficar sozinha.
E o que eu mais preciso,
Na verdade ninguém imagina.
Ando por um chão
Que vez ou outra me falta,
E ainda assim,
Querem roubar meu céu.

Diva Brito
09/07/2005

domingo, 23 de julho de 2006

MORENO DOCE

Olhar penetrante é o que se perde
Nas últimas ondas do horizonte
Será dúvida, ou medo
O que impera em seus segredos?
Será longa ou curta
Sua estadia em meu peito?
Tens lábios com fala tão macia
E doces são os beijos desses lábios
Ou será mel de um fruto amendoado?
Talvez do birro que cresce esperado
Pra fazer o doce do fruto do teu pecado.
Tendo beijos entorpecentes
Com leve sabor de chocolate
Que sol não nascerá contente
Para dourar-lhe a face?
A tua cor... Ah!
Ela me aquece os olhos
Acho mesmo que a sensualidade
Até o veste displicente
Com essa cor que irradia desejo.
E assim, sem esperar
Um sorriso teimoso surge acanhado
E mesmo antes que se fosse
Já deixou seu legado:
A alegria me trouxe!
Moço, a duvida me assola
Será ferida aberta no rio do teu peito
O que te endurece
No instante em que me sentes?
Ou será cautela,
Essas mãos inquietas
Escondendo-se do próximo ensejo?

Diva Brito
20/03/2006

sexta-feira, 14 de julho de 2006

CRÔNICA

Meu Deus, mas o que são as mulheres e homens no Orkut?


A Internet como vitrine, o Orkut como cardápio. Então não é assim que homens, mulheres e crianças se servem? Como o mais novo e saboroso prato da casa? Pois não são caras e bocas e perfis cheios de evidências da mega popularidade que possuem os seus membros? Esse site de relacionamento dá sensação de FAMA, de estrelar seu próprio comercial, de oportunidade de divulgar seu próprio book. Sim, mas não são mais importantes as fotos sensuais (muitas delas sexuais), que cortam a cabeça e enquadram só os corpaços que as lentes produzem, os cabelos que os ângulos transformam, e o resto todo que fica por conta do Photoshop? Claro! Além de não podermos esquecer da perfeição de vida maquiada que é estampada em álbuns e ostentadas em perfis. Ou ressaltam suas intermináveis virtudes ou forjam uma provocante revolta e mandam os visitantes ao inferno. Com certeza a massa ignorante não se lembra dos benefícios que essa indubitável grande idéia pode lhes oferecer. Sim, porque encontrar pessoas afins, com projetos, profissões, gostos musicais em comum me parece muito interessante. Além da possibilidade de se encontrar aquele amigo ou parente que os desencontros da vida levou a quilômetros de distância de nós. Sem contar que o que poderia servir como uma nova porta pra troca de conhecimentos e informações, ou atépra facilitar a comunicação saudável entre diversos povos de diversas crenças, se tornou uma rede de sexo, drogas, prostituição com perfis completamente erotizadose comunidades inúteis. Afinal, 'fóruns não estão com nada, o importante é fazer comunidades e mais comunidades pra embalagem da margarina que você usa ou pra futilidade mais conhecida no mercado'.
O Orkut também pode destruir namoros, casamentos, famílias, amizades, como jáacontecia em chats, e outros sites da rede mundial de computadores. Mas o Orkut apresenta algo peculiar, que éo fato de qualquer um poder ler qualquer perfil e ter acesso ao Scrapbook (página onde se deixam os recados pra o dono daquele perfil), o que rotineiramente acaba servindo como fonte das mais diversas informações para os detetives amadores que se escondem em perfis falsos pra assistir diariamente cada capítulo deste estúpido reality show. É incrível como conseguiram seu próprio idioma recheado de meiguice forçada ou de frases de auto-afirmação. Nunca o teclado foi tão explorado como nos últimos tempos. São símbolos que se intercalam com nomes e o diabo a quatro que inventam pra se enfeitar - eles devem sofrer em não poder mudar cores, fontes, formatos daquela página azul engessada. Os nobres da Academia Brasileira de Letras, ah, esses devem revirar-se em seus caixões ao ver os maus tratos que esses orkuteiros submetem o bom português. Afinal, a nossa língua deu lugar a um novo dialeto, cheio de x, w, y, k e outras aberrações. Não, não falo isso como quem se sente uma imortal, falo isso como quem levou anos na escola decorando verbos e aprendendo a ler e escrever, ortografia, pontuação, e o escambal, pra então ter que depois de alfabetizada se deparar com esse idioma internáutico que mais parece grego. Além de tudo isso, não poderia deixar de tocar num ponto delicado quando se é membro desse site. Sim, mas qual é mesmo o limite de intimidade que alguém pode ter com você pra te adicionar como amigo? Eu me deparava com minha lista de contatos no orkutaté a semana passada e pensava: Quem aqui já me deixou um recado, já registrou sua presença de qualquer maneira em minha vida? Só porque nós estudamos no mesmo colégio, ou porque moramos na mesma rua, ou temos o mesmo dentista? Não. Eu não sou seu amigo, não vou lhe adicionar! O que não me enquadra no papel de inimigo ou algo parecido. Essa gente eu não sei não... Algumas pessoasque me adicionaram, deixaram recado com beijos e o tradicional: - Apareça sumida! E me encontra na semana seguinte no mesmo elevador e fingiram que nunca me viram na vida. Aí tenha dó. O Orkut, meu querido leitor, até poderia ser um saudável site de relacionamentos, mas infelizmente como as grandes idéias da humanidade, também nunca será usado para a construção de mentes e outras idéias produtivas. Vai continuar sendo um site de busca de peitos, bundas e souvenires.


Diva Brito
05/07/2006

segunda-feira, 3 de julho de 2006

EM CONSTRUÇÃO

Aviso aos leitores deste blog que ele estará fora do ar hoje, pois estou fazendo uns ajustes no template.

Obg. =]

dalilla
http://entojo.blogspot.com

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Saudade é um arrepio frio e cálido, é uma sensação de angustia, embaraço, é um aperto ruim. Sentir saudade é uma mistura de prazer e tédio, é uma sensação de imóvel abandonado, de armário vazio, de descompasso.
É querer fugir pra um lugar que não sabemos qual é, e querer vomitar o alimento estragado ingerido. Não sentir saudade é nunca ter sofrido e sofrer no fundo é bom.
O sofrimento é a chave das nossas mudanças. Dizem que ou mudamos pela dor ou pelo amor. E no fundo a mudança pela dor é a que se estabelece, que dura.
Saudade é ao mesmo tempo não gostar, e querer de volta. É o incômodo de que quem abandonou e não fechou a porta. É ser nostálgica e entristecer.

Diva Brito
21/06/2006

terça-feira, 20 de junho de 2006

POSSESSÃO

São bocas e barrigas que se confudem
Peitos e quadris que se embalam,
Como num vôo livre onde o sangue pulsa,
Ferve, dilata as veias e umedece as partes.

Cores que se cruzam
E olhos que me buscam com sua vividez,
Mãos que me visitam e me mostram
O seu desejo incessável e vulcânico.

E já possuída sem ser posse,
Não encontro mais o temor,
Que me assolava e aprisionava
Naquele abrigo que se desfez.

Inebriada por várias descobertas,
São novas sensações que me despertam
De um sono outrora trépido,
E me conduzem nesse passeio luxuoso.

Diva Brito

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Vem meu menino doce de olhar esperto,
Vem bailar constante,e florir meu deserto,
Vem que você me olhar é arrepio certo
Vem ser meu desbravador de emoções.
Vem que meu querer antes tão incrédulo
Hoje tem no peito sem mistério
Um amor que encoraja nossos corações.

Diva Brito
18/06/2006

domingo, 18 de junho de 2006

VIAGEM URGENTE DE UM CASSETA

Morre um sorriso, um sorriso frouxo
De ser de vez em quando sorriso maroto
Morreu de repente um anjo bom
O humorista tem um mistério
Uma magia, ele é meio esotérico
Parece que Deus os enviou
Pra apasiguar tanto tormento
e nos trazer um contentamento
Que o mundo cru nunca nos deu
Morre um anjo, duende do riso
Simplicidade, talento prodígio,
De alguém que era um carnaval
Partiu então p'rum planeta distante
Continuar a aventura errante
de redigir alegria no céu
Viaja um casseta de maneira urgente
encerrando a cena que fazia contente
Um país tão cheio de mal.

Diva Brito
17/06/2006

sábado, 17 de junho de 2006

O GALÃ

Se fosse pra ser antes,
antes de tudo, ou durante,
não seria então o que és.
Não teria essa alma pura
Não teria um olhar de ternura
Quando quer dizer mas não diz.
Se fosse só figurante,
ou um mero viajante,
se fosse só aprendiz...
Mas é mestre, e galã constante
daqueles que o povo diz
Que nada pode tirar o viço,
Que já nascera com brilho
e é dono do seu nariz.


Diva Brito
12/06/2005
00:26


(Poema inspirado em Karim Midlej Harfush)





quarta-feira, 14 de junho de 2006

QUERER DE MORTE

Chame por aquela voz que foge
Talvez ela volte a sucumbir
Se for querer, queira de morte,
Queira até padecer
Até sair a última gota

Destroçado de tanto querer
Se for querer queira de morte
E ame de tanto morrer.

Diva Brito
18/07/2005
20:38

domingo, 11 de junho de 2006

O FÔLEGO

Que o meu fôlego
Te procure no escuro
Não te permita dormir,
E te prenda sempre em mim.
E que não penses em imaginar
Realidade fora do meu corpo,
Ou amor fora de minha'lma.
Que a chama eterna dos teus olhos
Nunca desapareça
Que nesse teu íntimo
Nunca pereça,
A esperança de me ter.
Que o meu nome eternamente
Ressoe no teu eco
E quando o vento
tocar-te o rosto,
Te lembres das minhas mãos
Que te vasculham sem pudor.
Que a chuva que te molha,
Exale assim o
Cheiro do meu corpo
Que tua sede te guie
Aos meus lábios.
Que saudoso agora estejas,
Da minha leviandade
Da minha aparente ingenuidade,
Da minha língua na sua vontade.


Diva Brito
12/07/2005
23:11 hs

domingo, 4 de junho de 2006


Meu coração anda jogado num canto úmido da sala ecura.
Não dispõe de amor que o faça reagir,
E apesar de sozinho, desalmado
Ele espera um bom homem
Que eu nunca vi.

Diva Brito
24/05/2006

P.S.: Eu vi o homem, e ele me sorriu e me segurou pela mão...e eu me senti feliz!
30/05/2006

sábado, 3 de junho de 2006

O FIM DA HISTÓRIA

Você que nunca foi meu
Hoje rompe os laços

De uma eternidade insegura
De um amor inacabado
E deixa-me sem nunca
Ter mergulhado nessa ilusão

Desse amor que me atinge
Que me envolve em dor

Que me cega, me fere
E que me leva a desfalecer
Mas, que burrice...
Não, não é esse amor
Que eu deveria ter.

Vou te estirpar dos meus planos
E gostos, hoje tão definidos
E declarado o instinto de permanecer

Com essa insistência boba
De buscar teu colo,

Quando na verdade é um beijo,
Seu corpo e seu cheiro,

O que não pude ter.

Diva Brito
12/09/2005


quinta-feira, 1 de junho de 2006

ARRUME SUAS MALAS


Pra que não se alongue em demasia,
Peço que se mude de dentro de mim
Arrume suas malas, bata a porta e só!
Tire sua boca do meu pescoço,

Recolha os seus olhos da minha frente,
Não deixe suas mãos espalhadas pelo meu corpo
Leve com você o calor dos seus beijos.
Não quero que nada fique aqui

Pra que não me torne à memória
Nas noites em que o vazio me visitar
O que você me fez e como me transformou.

Descubra-me do teu corpo
Porque essas vestes já não desejo ter.

E enfim, sem demora, se mude.
Arrume suas malas, bata a porta e só!


Diva Brito e Brisa Dalilla
2005

terça-feira, 30 de maio de 2006



Oi inspiração,
Vem assim tomar de volta esse corpo seu
Vem que estar em mim é não haver adeus

É ter de volta incorporada a minha coragem
É saber que as peças se encaixam quase que sozinhas

Vem inspiração, em mim, e me toma todinha
Me usar, cuspir, a pressa é toda minha
Vem como um arrepio que assusta, mas dá prazer

Vem e preciosa pra aliviar meu coração
Botar pra fora assim tanta emoção
Pra eu falar do amor que me invade.

Vem me fazer baile de versos de luz
Espalhar mágica e sonhar que fui
Morar na ilha da fascinação.

Vem,
Não é tão fácil esse vazio em mim
Sem ter você não dá pra fingir

Que sou feliz sem você na cidade

Diva Brito
30/05/2006

segunda-feira, 29 de maio de 2006

SATUREI

Eu cansei de jogos de sedução, detesto situações previsíveis. Tudo o que se tem montado é vazio, com propósito e cheio de intenções, mas, sem o inesperado, sem o surpreendente. Eu não sei bem porque as coisas são tão certas, acontecem sempre num roteiro, numa seqüência, numa ordem ridícula. Busco o que ainda não sei. Como se algo que eu ainda não sei o que é, fosse surgir a qualquer instante e me desequilibrar em um piscar de olhos.
Não, eu não cansei de seduzir. Mas, é que sedução é quase um estado de espírito, eu cansei foi do jogo, daquela previsibilidade. Mil vezes pular de pára-quedas a noite do que contar até cinco e saber o que vai ouvir. Ter certeza das ações que virão, das falas.
Essas coisas que crescem com a gente, toda essa ordem de ações, toda essa mesmice convencional de cada dia. São tantos costumes, hábitos e receitas pra se amar... Que cansei de fingir que não esperava, de mentir quer não sabia e me enganar de satisfeita e feliz. Quando na verdade sem abrir os olhos, sei aonde vai tocar qual a ordem das frases, quais serão as repetições, os pontos em comuns que já ganham de fábrica.


Diva Brito
2005

sábado, 27 de maio de 2006

RIO REPRESO

E esses seus doces favos estragados
Cujo vívido cheiro me prendia
Já não me prendem com o visgo dos teus braços
Nem me cobre com sua sombra esguia.

E a redobrada paixão que possuia
Com o desatino ela se fez avesso
E o sussuro virou lamento
E soterrou o meu pensamento.

Desperdiçado o sentimento
Que fez minguante o meu amor tão cheio
Meu olhar terno se fez mórbido
E fez terror sob meus anseios.

Trouxe a minha'lma guerra e tormento
E agora é seco o rio do meu peito
Armei barragem pra esse leito
E tudo nele ficou represo.


Diva Brito
19/06/2005
17:50

sexta-feira, 26 de maio de 2006

A GINGA

Você aparece malemolente
Eu me encanto e desejo
Essa foi a ordem dos fatores
A sucessão dos acontecimentosa
Daí surgiu os beijos e as mãos
E a vontade novamente
Sem me prender ou me entregar
E sem jamais acreditar
Foi a sua ginga, seu corpo solto
E seu coração sem dono
Que me seduziram
Cabelo em você todo enrrolado
Inspiração do pecado
Sem compromisso,sem porto
Foi isso que eu vi, e então
Desejei a insegurança
Confesso ter sido este o encanto
Mas você partiu e eu imaginei
Fora um passado gostoso
O provocante virou lembrança
E tu retornas pra me dizer
Tomas meu coração embrulhado
E fazes o que deves fazer?
Não me deleges esse cuidado
De resgatar do passado
Um sentimento esquecido
De me fazer reviver
O que eu tinha certeza
Que já tivesse morrido.

Diva Brito
05/2006

quarta-feira, 24 de maio de 2006

ELA cansou do amor. Cansou dessa coisa fracassada, frustante. Cansou de amar e não viver uma história de amor. Quando um não quer dois brigam, quando só um ama dois não ficam juntos. Viver a síndrome do "se" mata aos poucos. ELA não sabe bem porque carrega "isso" dentro de si. Porque conserva esse instrumento de nostalgia.Mantém isso vivo com uma inevitável esperança de um dia acordar e ver que todo o mundo passou a conspirar pra que dê certo. Mesmo sabendo que essa mágica nunca acontecerá porque o mágico tá a muito tempo sem cartola.ELE alimenta ELA, ELA alimenta ELE também. Vivem esse fingimento não sei o porquê??? Talvez pelos arrependimentos de não terem feito ou não terem vivido. Não acho não fizeram o que deveriam, acho que fizeram o que não deveriam.Depois disso, ou desse "não-isso" ELA cansou do amor. Dessa desventura, desse despropósito, dessa dor, dessa nostalgia. Pra ELA chega!

FILHO AMADO


Amo o filho que nasce em mim
Amo o filho que nem sei se é meu
Amo o filho mesmo que filho não seja
Amo, e o amor de filho mata a saudade
Amo-o pois, ser filho não há quem mude
Amo e mesmo que um dia o amor acabe
Amo esse filho que é amado na eternidade
Amo, e amarei incerta de ser amor ou infinitude

Diva Brito
23/05/2006
20:00 hs

terça-feira, 23 de maio de 2006

INTENSIDADE

Eu nunca fui de talvez, pode ser ou às vezes
Sempre detestei imparcialidade
Nasci pra Intensidade, pra amar ou odiar.
(Indiferença só pra quem não faz diferença)
Pra momentos e épocas,
Geralmente curtas e marcantes.
Lembranças fortes.
Fazer o quê, se as coisas na minha vida
acontecem pra serem breves?
Breves, fortes, inesquecíveis.
Cada uma com seu grau de importância,
mas, todas com importância.
Eu não desisti de tentar viver longas histórias,
inclusive atualmente eu venho tentando.
Vida longa, momentos curtos,
lembranças sempre vivas.
Lembro de algumas fases com tanta nitidez,
de algumas com um pouco de saudades,
de outras nenhum pouco.
Pra resumir....
eu por mim....
Impulso,Intensidade,
Paixão,Intensidade,
sonho,Intensidade,
Desejo,Intensidade...
E por aqui me fico.
E só.


Diva Brito
(2005)

quarta-feira, 17 de maio de 2006

TUA BOCA

Esquece o que tua boca diz
Ela mente
Mente porque na verdade,
Nem conhece e a verdade
Vai ver tua boca sente,
Mas nem sabe
Esquece o que tua boca diz
Ela finge.
Finge não sei o porquê.
Talvez por medo de saber
Ou teimosia.
E desse jeito ela foge
Não sei porque foge
Foge de tudo
O que diz seu coração.

Diva Brito
24/09/2001
19:10 hs


domingo, 14 de maio de 2006

ESCREVENDO

Cabeça desassossegada,
Muitas letras, muitas palavras,
Muito anseio em traduzir,
As sensações que “isso” traz.
Caramba, eu quero dormir,
Mas elas não param de gritar.
Palavras puxam meu lençol,
Com pressa em se ordenar,
Levanto, tropeço em algumas
E deixo a caneta dançar.
Pronto, já chega por hoje,
Eu já me cansei de escrever.
Mas as palavras insistem,
Em não me deixar adormecer.


Diva Brito
08/05/2006

A ILUSÃO DE DORA

Dora, tola, burra e imbecil
Se encadeou numa história infantil
Dora, que adora se iludir
Se atolou e não pode mais fugir
Ô Dora, sua vida é uma casa
Fundada na areia da praia
Que todo outono vai e desaba
E você no verão levanta de volta
Ô dora, esse amor é uma farsa
É no fundo um teatro, Dora.
E na vida você só tem de graça
Comédia, drama e história.

Diva Brito
13/05/2006

PRA REFORMULAR

Invoco a noite pra que ela traga a tona
Os pensamentos sem sentido
À minha triste alma desregrada
E realizar minha condução ao nada.
Ah! Então que venha a noite

E que seu mistério me vincule
E a lua revele em face iluminada
Aquelas coisas que escondo em mim.
Minguando árduo o e crescendo o terno
Venha cheia de faces oferecendo novo prazer.

O meu rio interno então corre em desatino
Eu expulso o meu silêncio temperado.
Aí finjo uma parte, a outra assumo.
As cores que eu não via, algumas descubro.
Ganho poetas mortos e acordes renovados.

Antes aquela angústia, aquele medo fosse inútil.
E que tudo que me inspira agora seja real.
Essa eterna falta de chão é meu cisco no olho
Mas, já ta mais do que na hora de eu me dizer sim
Pois tenho a certeza de ter sempre a noite pra me socorrer.

Que o outono traga as minhas escolhas
Um confortável choro de vitória,
Que faça das minhas muralhas apenas degraus,
E transforme meus anseios num rio calmo.
Já que minhas dores massageiam meu coração.


Diva Brito
20/04/2006
12:15 hs

sexta-feira, 12 de maio de 2006


Uma certeza estúpida reluta em não sair de dentro de mim. Nunca conheci uma certeza tão cheia de si, tão crédula. Ela me encara como se no fundo me achasse estúpida por cogitar dúvida sobre ela. Ela surgiu quando cansada de tanto eu negar as minhas intuições, decidiu fazer eu me sentir ridícula em ignorar o que pra ela é o óbvio. Sabe lá de onde surgiu essa certeza, as perguntas que você se faz agora eu já cansei de me fazer. De repente, as perguntas não devessem ser feitas a mim, e se a resposta possa vir de outro alguém. Mas, quem? É meio maluca essa estória, mas, e não duvide que diversas vezes tentei apagar essas coisas de dentro de mim. Cheguei a achar que eu tava pirando, coisa assim, mas não dá. Essa certeza me cutuca dia e noite e às vezes é como se ela gritasse dentro da minha cabeça: - Ei, não ouse duvidar! Ela me faz acordar de madrugada só pra eu perceber que ela ta lá, me desfiando.É chato ter essa sensação dentro de você sem saber porque que ela ta ali. Sem saber por que motivo ela é tão inabalável. Por que ela me rouba o sono. Se no fundo parece ser uma coisa de fora. Não é o que eu acredito, não é ela minha certeza. E ao mesmo tempo, é intrigante porque ela me incomoda tanto... Uma certeza do impossível. Engraçado isso, não? Uma certeza do incerto. E uma certeza insistente, chata, daquelas teimosas. Se um dia eu pudesse ficar frente a frente com essa maluca eu perguntaria por que ela invocou comigo? Às vezes tenho raiva dessa certeza, vontade de poder provar pra ela que ela é chata, insistente e principalmente que ela esteve o tempo todo enganada. Pra vê se ela larga do meu pé. Ou se realiza de uma vez tudo que ela afirma.
Diva Brito
(2005)

quarta-feira, 10 de maio de 2006

SAUDADE DO QUE NÃO TIVE

Lá fora tudo grita agora
E mesmo assim eu te chamo
Teus olhos olham pra outros
E eu reclamo sozinha
O meu desejo esses dias estoura
E eu tô pensando em ficar quietinha
Nesse momento eu sinto falta
De ter você ligado na minha
Curtir palavras cantadas com brisa
E ver teus olhos avançarem o mar
E mesmo diante de toda essa vista
Ouvir-te dizer que não partirá
Que vai deitar na areia comigo
Contar-me um segredo no pé-do-ouvido
E depois de tudo me amar no mar

Diva Brito
08/03/2006

terça-feira, 9 de maio de 2006

A MEU MODO

Fica no céu do teu sorriso
O deleite com que eu sonho
Levo sua voz de poesia
Ao meu sonho tristonho
Transforma meu céu nublado
Em um domingo de sol
São soltas as suas palavras
Que me prendem em seu anzol
São tempos intermináveis
Os que terei ao seu lado
Durante as madrugadas
Em que terás me visitado
Oh! Doce criatura,
Que surge então no meu quarto
Um dia copio o sonho
E ignoro o destino ingrato
Que brinca com os meus “ais”
E faz do sonho tormento
Viajo, desmancho seus laços,
E impero em seus pensamentos
Acolho você no meu peito
Velando teu sono ao meu lado
Noite dessas, assim, eu acordo
E traço o destino ao meu modo.

Diva Brito
02/04/2006