quarta-feira, 25 de outubro de 2006

POESIA HUMANA PRUM POETA EXATO

Outro dia, conheci um poetinha,
Com palavras macias
E de sorriso doce.
No meio do meu sonho
Ele se apresentou cortês,
Segurou-me pela mão,
E me embalou numa dança
Ô poeta, porque só me vens em sonho?
Porque não posso tocar-lhe?
Mostrar meus planetas de flores?
Palavras não são só brinquedos,
Se brincares quem sabe apaixono.
Seu cor4ação é de amores
Tão densos e assim tão puros...
Me dá um pedaço do céu?
Ou um amor de papel?
Que eu jogo meus medos no vento,
E te trago um anel de Saturno.


Diva Brito
19/03/2006

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Me ame com paixão,
Não me traga bons modos
Se eu pedir, me bata,
Se eu quiser, me xingue
Não me faça de dama,
Porque meu bem na cama
Sou sua mulher.
Sim, me fale palavrões
Me chame por nomes feios
Faça indecentes observações
Faça eu me “sentir carne”
Vai, e se despe vez ou outra
Do que te trava a boca
De me falar besteiras
E outras coisas obscenas
Pois sacanagem um pouco,
Meu bem, nunca é demais.
Porque eu só nasci boneca
Mas a muito que erras
Em me preservar.
Quero me sentir viva
Mulher e desejada
Não fico conformada
Só com teu afeto
Eu quero seu incesto
Quero em ti me embriagar.
Me queira com furor
Me tomes com fervor
Me diga o que lhe ferve
O que de mim tu queres
Me faça seu brinquedo
Às vezes sua escravaMe conte que pedaço
De mim você mais vê
Como quer que lhe toque
Que se eu fizer te provoque
E desperte o bicho em você.


Diva Brito
10/2006

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Dia de tempo aberto
Daqueles em que o sol
Arreganha as pernas
E que permanecem abertas
Pra seduzir quem vê.
Dia de céu limpo
Como um presente.
Depois de desembrulhado
Aberto, amostrado,
Pra surpreender quem vê
Dia de alma lavada
De coração aberto
Dizendo na cara
O que vem de mim
E só você não quer ver.

Diva Brito
16/10/2006

sábado, 14 de outubro de 2006

Meu beija-flor vôou.
E eu estou aqui
a esperar a sua volta.
Como a moça que se senta
na pedra que beira o rio,
E conta os dias
pra aquela flor que nasce,
se abrir em cor,
perfume e paz.
Mas logo o beija-flor volta,
e me encontra
na pedra a sua espera,
Ele me beijará feito rosa,
E me envolverá
de felicidade eterna.

Diva Brito
13/10/2006

Dentro de uma mulher
tão polida por sua lida
e dentro daquele universo
de flor, de riso e de justiça
faz crescer uma forma de existir.
Forma de ser única e de ser igual,
de ser mãe de uma maneira especial,
de ser poeta, bailarina, jornalista,
de pra conseguir o que quer,
ir à luta e se fazer artista.
Artista do instante que se segue,
da maneira com que informa breve,
de mover o sentimento latente em si,
de reverenciar amizades puras,
de deixar surgir essa mulher madura,
e despropositadamente você aparece assim
dentro das cabeças, dos risos, dos peitos,
e da alma de quem de ti pode desfrutar.
Chega displicente, quando se precisa
Traz consigo abraço e palavra amiga
E avassaladoramente vai ficando aqui.

Diva Brito
14/10/2006

(Inspirada em Roberta Oliveira)

domingo, 8 de outubro de 2006

A ORDEM DOS FATOS.

Se fosse...
Era.
Colheu
e trouxe.
Houvera
de novo
à noite.

Diva Brito
08/10/2006

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

SIM

Não esquecerei de colher teus beijos-favo
De todos os dias anoitecer nos teus braços
E de fazer do teu sorriso um quadro
E assim eternizá-lo pra mim
Terei o cuidado de cobrir-te com dengos
E proteger-te do frio que maltrata
Se um de nós do outro se afasta
E quando tu só vens no sonho luzir
Não esquecerei, amor, de dizer-te,
E dizer inúmeras vezes
Que o sol inveja tua realeza.
E dizer-te também toda manhã
Nos dias que começam e virão
Mais um “sim”, cheia de certeza.

Diva Brito
29/09/2006

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Ele se esconde num corpo muito menor que sua alma.
Fica ali, apertado, sufocando sua alma,
Morando dentro de um corpo que não lhe cabe.
Uma alma tão grande, presa em matéria tão comum...
Deveria ter vindo luz, água ou som.
Podia ter vindo vento, pra espalhar esse tom.

Diva Brito
27/09/2006

(inspirado em Marco Ladeia)

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Aí vem ela toda certa
Toda bêbada de suas certezas
Espalha na mesa as cartas que ela
Supõe que ganharão a partida.
Aí vem ela completamente extrovertida
Inverte as posições em que as expõe
E de repente...
Pra sua surpresa,
se pega vencida, derrotada.
Ela não tem muito o que fazer...
Aí pede a revanche!


Diva Brito
25/09/2006

terça-feira, 19 de setembro de 2006

CONTO

A bailarina

Naquela manhã de verão, ela acordou se sentindo a garota mais bonita da cidade. Na verdade isso não era pretensão de sua parte. Porém, existia naquela vaidade matinal uma colher e meia de malícia. Marina percebia que havia começado a transformação do seu corpo, e que, sobretudo, já possuía um dos rostos mais perfeitos daquela região. Um rosto angelical, olhos azuis e arredondados, sobrancelhas naturalmente bem desenhadas, maças salientes e coradas, um nariz fino e arrebitado, cabelos num tom escuro, lisos e que se encontravam na altura da cintura daquela doce menina. Marina era a bonequinha da família e como se não bastasse filha do prefeito daquela cidade. Levantou muito mais cedo do que de costume pra se arrumar pro tão comentado desfile. A fanfarra da escola era tradicionalmente conhecida nas redondezas pela afinação e pela pompa com que se apresentavam em todas as datas comemorativas da cidade.
Ela corre pro banheiro. Tira a camisola de menina moça e entra no chuveiro, assim, como quem encena um comercial de sabonete. Olha os pequenos seios que depois de despontados já cresciam com uma forma arredondada e intimidadora. Tocava também sua cintura, que havia afinado consideravelmente. Seu quadril mais largo e seu bumbum proeminente a deixavam uma moça bastante atraente. Marina já completara os 17 e estava se preparando já pra sua festa de aniversário de 18 anos. Mas era engraçado, pois aquelas transformações se iniciaram paralelas ao período da sua primeira menstruação, mas só agora ela realmente se via como uma mulher, e não mais como menina crescida. Essa visão que ela acabara de ter, talvez demorasse mais ainda de chegar às mentes de alguns homens de seu convívio, como seu pai, seus primos e tios, os colegas da escola com quem estudava desde a alfabetização, e os amigos da família.
Veste toda a roupa de bailarina e entre uma peça e outra ela relembra os passos que houvera ensaiado. Marina core no quarto da mãe e chama pra que venha fazer sua polpa – era sempre ela que penteava a filha pros eventos. Os fios muito lisos teimam em escorregar das mãos da mãe, mas como já havia pratica m penteá-la, Consegue em alguns minutos formar a polpa do jeito que Marina adora. Depois de arrumada a menina desce e toma um suco. Experimenta o bolo que a mãe fizera, e que era o preferido dela: bolo de fubá. Marina faz os últimos retoques na maquiagem caprichada que fazia pros eventos mais importantes. Um batom vermelho nos lábios, blush nas maçãs já naturalmente coradas e muito rímel.
O pai já está na sala com a mãe já arrumada, ambos esperando pra levar a filha até a concentração do desfile.
A coordenadora do evento, posiciona corretamente os componentes da banda e anuncia que a fanfarra vai sair.
Marina graciosamente dança à frente da banda. Com o seu sorriso que havia esquecido de comentar, mas que só intensificava a beleza de princesa com a qual a menina já nascera. Os rapazes da cidade admiravam a beleza estonteante de Marina como algo quase que intocável. Como se a menina fosse uma princesa presa na torre e só sendo muito nobre e corajoso pra se casar com ela. E era, com certeza a mais bela e bem educada menina da cidade, coisa que a fazia “sonho de consumo impalpável” a todos eles. Além do mais, a figura do seu pai projetava nela mais ainda a figura de bibelô de estante.
E aí, na frente da fanfarra, vem a bailarina insatisfeita que olha pros rostos que a fitam com aquela infinita ternura.Ela para a banda e retruca:
- Ei! não me olhem assim! Não fui feita pra enfeitar, não vou aqui iludir.Coloquei esta meia transparente, um decote generoso, um maiô bem curto, essa sainha de filó super sensual, e ainda estou com as pernas de fora e vocês me olham com essa inocência intragável...?
Do fundo da fanfarra solta bem alto um dos trompetistas:
-Ó...já que pode falar,moça, cê tá gostosa pra caralho!

Marina se vira com um riso de quem estava agora sim, se sentido mulher. A banda recomeça e fanfarra prossegue, agora assistida por olhos famintos sobre a bailarina satisfeita!
FIM.
Diva Brito
19/09/2006

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Rasga essa felicidade na boca,
Rasga essa coisa contida
E tão condensada em você.
Vai menina, e rasga mesmo
Essa sua displicência eterna,
Que camufla nessa moça etérea,
Uma submissão ao que a vida decide.
Ah, mais isso é só cinema,
Arte que mais se aplica a ela,
Que dirige, produz e contracena,
O que no seu filme decide ela.

Diva Brito
14/09/2006
(Inspirado em Brisa Dalilla)

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Eu sou letras, palavras,
soltas ou arrumadas,
sou um invento,
um contentamento sem cor.
Sou o que não tinha que ser,
ou se tinha, quem vai saber?
Sou movida a amor.
Sou cheia de coisinhas minhas
que aprendi com Mai
a guardar em caixinhas,
e é isso que sou.

Diva Brito
28/06/2006

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

ACEITE

Meus versos não precisam ser seus
E não mais o serão desde esse tempo.
Aceite que você não teve tato,
Não soube perceber minha alma,

Com os seus olhos acerados,
Fez do meu peito calabouço
Onde eu mesma me esqueci.
Mas isso é finito, meu bem.

Aceite que eu achei aconchego
Numa alma que enxergou a minha
Num peito que libertou o meu

Num coração que curou minhas feridas
Num amor que não se finge, não!



Diva Brito
14/09/2006

domingo, 10 de setembro de 2006

Passeio vez ou outra, meio perdida, às margens do que penso, do que escrevo e monto. Quando isso acontece, procuro manter o equilíbrio e tentar voltar a linha de pensamento de onde me exportei. Essas aventuras as vezes me prendem por horas e horas. Sem que o ruído do mundo me desconcentre.

Diva Brito
02/09/2006

Mudanças, todas intensas
Isso é o que explica Milena
Fazendo tudo valer a pena
Mesmo que a dor não seja pequena
Lirismo e sedução em cena
Quando o vento assanha suas melenas
Se ama, ama ainda mesmo que não tenha
Sua arte, quem sabe um dia o mundo entenda.

Diva Brito
09/09/2006

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

O céu de hoje me deixou angústia nos olhos.
Cerrado, carregado, como se tivesse absorvido
toda a dor desta minha semana.
O céu de hoje trouxe um vento
anunciando um fado sofrido.
Mais? Já não lhes basta
olhos constantemente úmidos
e corpo encarangado?
Tentando reagir do caos íntimo
em que me entranhara,
hoje ensaiei entoar um canto.
As pontadas no peito me fizeram
desafinar nas notas mais altas.
É, desisto.
Pra quem tem a saudade amargando,
resta calar e ouvir a noite.

Diva Brito
08/09/2006
20:33 hs

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Involuntariamente algumas coisas acontecem.
Como por exemplo as minhas lágrimas tão contidas
quando resolvem se suicidar.
Lançar-se desenfreadamente da cavidade dos meus olhos.
Nesse exato momento queria algo que estancasse meus olhos.


Diva Brito
06/09/2006





sexta-feira, 1 de setembro de 2006

BONECA DE VIDRO

Sou uma poetisa burra
Daquela que se arrebenta
Mas que não aprende a desamar

Sou o aquele tipo de mulher
Que por azar um dia aprendeu
Que não se deve o outro machucar

Sou uma menina tosca
Que deixa escapulir da boca
Quando decide amar

Sou então uma boneca de vidro
Que se cair, eu duvido
Que outro alguém possa colar.


Diva Brito
01/09/2006
10:30 hs

terça-feira, 29 de agosto de 2006

VEM, MEU BEM.

Vem grande, assim inteiro,
chegando imenso em mim.
Vem quando se intercala
nas minhas roupas,
se perde em minha'lma,
vem com todos os pedaços
soltos, que se encaixam.
Vem fugir do medo,
contar segredo,
correr no seu mundo,
que é meu corpo inteiro.
Vem assim valente,
ou vem homem tolo,
tonto de vontade
ser cara-metade.
Vem que eu te busco,
que eu só te procuro,
e que só te encontro,
entre minhas pernas,
entre os meus medos,
quem sabe entrelaçado
entre os meus cabelos.
Quando ali, terno,
você me acolhe,
e me acalenta,
vem e não demora,
meu fôlego aguenta,
vem pra me curar
do mal que eu me fiz.
Vem ser minha escola,
fingir ser meu rei
vem, mas me namora
do jeito que fez
quando os teus olhos,
num mundo de olhos
conseguiram mansinho,
de vez me prender.
Solta eu me sentia,
meio rodopiando,
sentindo, exaurindo,
tudo de uma vez.
Eu quero teu colo
teu corpo, teu choro,
quero te acender.
Vem que tá na hora,
meu bem, não acorda,
se só o que eu posso
é no sonho te ver.


Diva Brito
29/08/06
19:00 hs

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Quanto mais o tempo,
insiste em se arrastar...
Mas ela insiste em esperar.
Ela ficava olhando a linha do mar,
esperando o dia em que
ele voltaria então de vez.
E ela insitia em não chorar
e guardar pra ele a beleza da tez.
Manter-se enfeitada com sorrisos,
E perfumar-se com flor lilás.
Ela esperava e ainda espera,
o dia do seu coração estar em paz.

Diva Brito
22/08/0613:38

terça-feira, 22 de agosto de 2006

FODA-SE

Eu quero uma noite inteira pra morrer
Pra me embriagar com isso
E se for morrer mesmo
Tem que ser de tédio

Eu quero uma noite inteira pra odiar
Pra fingir perdão e sorrir mentira pra você
Pra você todo o seu amor e toda a sua Ela
E o que não é e nunca foi meu.

Eu quero uma noite inteira pra fumar desprezo
Pra me fazer o que seja e golar cicuta.
Eu não quero a noite inteira não, pensando bem,
Eu quero só uma fração de tempo, pequena assim,
Que considere satisfatória pra te falar: - Vá se foder!

Diva Brito
03/2006
(madrugada)

terça-feira, 15 de agosto de 2006

COM CARINHO, AÇÚCAR E AFETO

Impossível de mensurar
O tamanho de sua alma,
Seu espírito de velho sábio,
Como de quem carrega consigo,
Algo sensual e um tanto mágico.
Um andar de fêmea madura,
Lábios de fruta doce,
Uns olhos úmidos de rio,
Sempre tão profundos e sedutores.
Não, ela não quer confundir,
Mas não vai também se mostrar.
E é no seu passos que ela leva
Um ar de profundo mistério.
Mas no fundo, tudo que ela quer dar
É "carinho, açúcar e afeto".

Diva Brito
15/08/2006
11:47hs

( inspirado em Lara Kauark)

sábado, 12 de agosto de 2006

"Há um calor pesado
Que me leva a um infinito profundo
Outro mundo
Onde sobrevivo de desejo
E ao que vejo, meu pejo
Detém a força desse calor. "

Brisa Dalilla
29/03/06

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

O futuro me abraçou.
se mostrou pra mim
com ares cordiais.
Ele tenta aparentar
uma inofensividade,
na busca pelo momento
em que eu perca
meu pavor do previsível,
e tudo que é planejado.
O futuro me esnoba.
Como se tentasse
me esfregar na cara,
e dizer com ares
de "dono da verdade":
- Eu já sabia!
O futuro é amanhã,
ou seja, tenho 24hs
antes disso.
Diva Brito
11/08/2006

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

POEMA DA ATRIZ

Hoje é mais um daqueles dias
Em que a dúvida vai te inquietar.
E entorpecido pela incerteza
Você irá permanecer, pois,
Nada do que foi dito ou escrito
Pode ser considerado verídico.
E reverenciando o poeta
O que eu ganho, o que eu perco
Ninguem precisa saber.
Sei, mas não se esqueça
Que a certeza será sempre minha
Do que é ou não é,
E nem mesmo minha face
Te revelaria a verdade,
Pois eu sou o que quero ser
E você sempre será o que é.

Diva Brito
25/07/2005
14:35 hs

terça-feira, 1 de agosto de 2006

A TERRA

Dia cai, noite sobe.
Lua nasce e o sol morre
Acompanha o rio que corre
E a água que socorre
A terra que é possui um corte
De tão seca e pobre
Que não há quem note
Aquela ferida que é só um corte
Aquele povo que ainda sofre
Enquanto o dia sobe e a noite cai
Enquanto sol nasce e a lua morre.

Diva Brito
1999

segunda-feira, 31 de julho de 2006

AQUELE MOÇO.

Ele é como uma fagulha, daquelas que nunca se apaga, o vento não mata, só fortalece. E ele sempre me escapa, quando vem, surge e ressurge. Mas, sempre teima em partir sem deixar marcas, rastros, só mesmo o meu desejo que deve mesmo se manter discreto. Resta então saber que você existe e que passa por mim como um tufão, mas, que não é meu.
E aparece com um ar de raposa, com andar imponente e simultaneamente sutil e um olhar assim de penumbra. Assim horas com nuvens nos olhos que tanto atraem, mas não se permitem penetrar, horas com um redemoinho hipnótico que me despe delicadamente, com muita naturalidade, e quase que não me dou conta.
E eu até tento não transparecer, venço a batalha de o corpo não falar, finjo bem, não sabe? Mas é que esse diabo com cara de bom moço e jeito de gente que não se desmancha, sem muito esforço me desconcentra, me provoca, sabe ler minhas reações e ler o que meus olhos, ao contrário dos meus gestos, acabam por revelar. Ele sempre me deixa rubra, como ninguém mais consegue deixar.
O pior de toda essa história não é só minha vulnerabilidade, o pior é que ele brinca com essa atração. E eu, já inebriada em sua graça, por pouco não me banho nessa fonte de prazer. Abduzo-te, prendo-te e busco com ânsia aquela boca, donde ouço uma voz delirante que de início me paralisa os sentidos e logo em seguida enfurece meu desejo adormecido que renasce cada vez que você vem.

Diva Brito
2005

sábado, 29 de julho de 2006

INTEIRO

Sentir você por entre suas coxas
Me despir por inteiro da carapaça
Suas mãos descendo minha nuca
E minha língua com ar de pirraça.
Os meus cabelos num só embaraço
E eu a me afogar nesse urgente apelo
Agarro tão sedenta que nem sei se ajo
Somente por sede ou por desespero
De não querer conter o que aguardo
Que é de sentir cumprido o seu desejo.

Diva Brito
28/06/2006

terça-feira, 25 de julho de 2006

À VANGUARDA

Quero as luzes acesas,
Quero toda transparência,
Nas cores e imagens.
Eu não alcanço esse atraso.
Se for loucura, ou euforia,
Não importa.
Estou sozinha,
Preciso sempre ficar sozinha.
E o que eu mais preciso,
Na verdade ninguém imagina.
Ando por um chão
Que vez ou outra me falta,
E ainda assim,
Querem roubar meu céu.

Diva Brito
09/07/2005

domingo, 23 de julho de 2006

MORENO DOCE

Olhar penetrante é o que se perde
Nas últimas ondas do horizonte
Será dúvida, ou medo
O que impera em seus segredos?
Será longa ou curta
Sua estadia em meu peito?
Tens lábios com fala tão macia
E doces são os beijos desses lábios
Ou será mel de um fruto amendoado?
Talvez do birro que cresce esperado
Pra fazer o doce do fruto do teu pecado.
Tendo beijos entorpecentes
Com leve sabor de chocolate
Que sol não nascerá contente
Para dourar-lhe a face?
A tua cor... Ah!
Ela me aquece os olhos
Acho mesmo que a sensualidade
Até o veste displicente
Com essa cor que irradia desejo.
E assim, sem esperar
Um sorriso teimoso surge acanhado
E mesmo antes que se fosse
Já deixou seu legado:
A alegria me trouxe!
Moço, a duvida me assola
Será ferida aberta no rio do teu peito
O que te endurece
No instante em que me sentes?
Ou será cautela,
Essas mãos inquietas
Escondendo-se do próximo ensejo?

Diva Brito
20/03/2006